CRESS-MG repudia violência contra assistente social em Uberlândia e defende condições dignas de trabalho

Publicado em 04/11/2026

O Conselho Regional de Serviço Social de Minas Gerais (CRESS-MG) manifesta-se em defesa das e dos assistentes sociais que trabalham na área da saúde em Uberlândia (MG) e repudia toda forma de violência, constrangimento e desrespeito no exercício profissional. Em outubro, circulou nas redes sociais um vídeo em que uma assistente social é exposta e responsabilizada, por meio de agressões verbais, em um contexto relacionado às dificuldades e limitações do atendimento na política de saúde do município.

A situação é incompatível com os princípios fundamentais do Código de Ética Profissional de Assistentes Sociais, especialmente aqueles relacionados à defesa da dignidade e à garantia das condições éticas e técnicas para o exercício profissional. A dignidade profissional, bem como a formação e a competência da profissional, são colocadas em questão durante um atendimento à população usuária, desconsiderando os limites e as condições objetivas que atravessam o exercício do Serviço Social.

É importante demarcar que as e os profissionais, enquanto integrantes da classe trabalhadora, estão expostas e expostos às formas contemporâneas de exploração e superexploração da força de trabalho, marcadas pelo desemprego estrutural, pela informalidade, pela precarização dos vínculos e pela intensificação das jornadas, condições que repercutem diretamente na saúde e no cotidiano de trabalho.

Nesse contexto, defendemos a valorização do serviço público e a garantia de condições adequadas para o exercício profissional, bem como o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), a existência de condições estruturais compatíveis com o funcionamento dos serviços de saúde e a composição de equipes profissionais em número suficiente para responder às demandas crescentes da população.

Cabe ressaltar que assistentes sociais prezam pela qualidade dos serviços prestados à população e atuam na defesa dos direitos e do acesso às políticas sociais. Entretanto, possuem autonomia relativa no exercício profissional e não dispõem de condições para assumir ou responder individualmente por situações que atravessam a organização, o financiamento, a gestão e os limites das políticas públicas. Questões relacionadas à insuficiência de recursos, à organização dos serviços, à gestão e às condições de oferta das políticas públicas não podem ser individualizadas e atribuídas às e aos profissionais que nelas atuam.

O direito da população ao acesso às políticas sociais e a reivindicação por serviços públicos de qualidade não se contrapõem ao direito das trabalhadoras e dos trabalhadores de exercerem suas funções em condições dignas, seguras e respeitosas. A defesa do direito à saúde não pode ser dissociada da defesa dos direitos de quem trabalha para viabilizá-lo.

A categoria de assistentes sociais é composta majoritariamente por mulheres que, historicamente, acumulam múltiplas jornadas de trabalho e assumem o peso invisibilizado e desigual das tarefas de cuidado, envolvendo o suporte cotidiano nos contextos doméstico, escolar, de saúde e comunitário. Reafirmamos que essas trabalhadoras devem ter assegurados o respeito, a proteção, as condições dignas de trabalho e a preservação de sua saúde física e mental.

O CRESS-MG manifesta sua solidariedade à profissional envolvida e a todas e todos os assistentes sociais que vivenciam situações de violência, constrangimento e desvalorização no exercício profissional. Reafirmamos nosso compromisso com a defesa das condições éticas e técnicas de trabalho, com a valorização das trabalhadoras e dos trabalhadores e com a defesa intransigente dos direitos humanos e das políticas públicas enquanto direitos de toda a população.

Defender o SUS e o direito da população a um atendimento de qualidade também significa defender quem trabalha diariamente para garantir esses direitos.

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