Crise ambiental: o desastre e a calamidade pública em Minas Gerais
Publicado em 02/03/2026
Card mostra assistente social com símbolo do Código de Ética. Ao fundo triânggulo da bandeira de minas tomado por lama e chuva.
O Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) e o Conselho Regional de Serviço Social de Minas Gerais (CRESS-MG) manifestam solidariedade às famílias e comunidades mineiras atingidas pelas fortes chuvas, que já provocaram mortes, desalojamentos e perdas irreparáveis.
A situação não é isolada nas cidades de Juiz de Fora e Ubá, mas em outras áreas do estado e em boa parte da região Sudeste.
Mais uma vez, o Serviço Social enfatiza: não se trata de situações pontuais, muito menos “naturais”; a tragédia que atinge Minas é resultado da crise climática, reflexo do modo de produção capitalista que explora os bens comuns da natureza, aniquilando a biodiversidade e provocando intenso sofrimento e ameaça à vida da população.
Somam-se a esse contexto a falta de investimento nas políticas de seguridade social, a falta de planejamento urbano, o desmonte da proteção ambiental e a negligência histórica com os territórios em situações vulneráveis.
Nesse momento, ações de natureza humanitária são importantes para o suprimento de necessidades básicas no momento da emergência, bem como as ações de natureza profissional, no caso do Serviço Social, aquelas previstas na Lei 8.662/1993.
Assim, CFESS e CRESS-MG disponibilizam uma série de materiais com orientações sobre o trabalho de assistentes sociais em situações de desastres e calamidades e reforçam que o tema vem sendo debatido ao longo da última década no Conjunto, o que mostra que as respostas profissionais de assistentes sociais não se limitam à emergência.
É preciso enfrentar as causas estruturais, defender políticas públicas universais, fortalecer o SUS, o SUAS e o conjunto das políticas de seguridade social, assegurando direitos e avançando em defesa da justiça ambiental.
As tragédias escancaram contradições que não podem ser soterradas: o poder público, em especial, a partir de projetos de políticos da extrema direita, corta recursos da proteção ambiental e das políticas sociais, estimula a exploração desenfreada e, diante do desastre, divide responsabilidades com uma população já penalizada por retrocessos de direitos.
Desastres não são eventos pontuais, mas processos que exigem respostas estruturais e permanentes (com políticas de saúde, moradia, renda, segurança alimentar), com equipamentos e equipes qualificadas e condições éticas e técnicas garantidas.
Reafirmamos nosso compromisso com a defesa da vida, reforçando que defender a justiça ambiental é enfrentar a desigualdade social.
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