O Serviço Social tem lado: o da democracia e da classe trabalhadora

Publicado em 22/10/2026

CRESS-MG convida a categoria a revisitar a história da profissão, o Código de Ética e os compromissos que orientam o Projeto Ético-Político frente aos rumos da sociedade 

Em momentos de intensos debates na sociedade, diferentes projetos societários entram em disputa e questões que atravessam o cotidiano profissional ganham ainda mais visibilidade. Que relação o Serviço Social estabelece com essas disputas? A profissão pode ser compreendida como neutra diante das desigualdades, das violações de direitos e dos projetos societários em confronto?

Para responder a essas questões, é preciso olhar o Serviço Social brasileiro na história. A profissão que exercemos hoje é fruto de um longo processo de disputas, rupturas e construção coletiva. O Serviço Social não nasceu com a direção social que defendemos atualmente. Foi no movimento da própria categoria, em diálogo com as lutas da classe trabalhadora e com as transformações da sociedade, que suas bases conservadoras foram questionadas e novas referências teóricas, éticas e políticas ganharam força.

Esse percurso se expressa nas legislações profissionais, no Código de Ética de 1993, no trabalho profissional e na organização política da categoria que consolidam o Projeto Ético-Político construído coletivamente.

Uma profissão orientada por princípios e valores
Assistentes sociais, como parte da sociedade e da classe trabalhadora, possuem posições políticas diversas e pluralidade de visões. O CRESS-MG atua de forma institucional, sem vínculo com correntes partidárias. Isso não significa, contudo, que o Serviço Social seja uma profissão desprovida de direção social.

O Código de Ética expressa princípios e valores construídos historicamente pela categoria, entre eles o reconhecimento da liberdade como valor ético central, a defesa dos direitos humanos, o aprofundamento da democracia, a equidade e a justiça social, o enfrentamento aos preconceitos e a opção por um projeto profissional vinculado ao processo de construção de uma nova ordem societária, sem dominação e exploração de classe, etnia e gênero.

Esses princípios orientam o exercício profissional e expressam a direção ético-política construída coletivamente pela categoria.

Compromisso que se traduz no cotidiano
A realidade exige mais do que declarações abstratas. Conservadorismo, racismo, machismo, LGBTQIA+fobia, capacitismo, intolerância e outras formas de opressão não estão fora dos espaços onde atuam assistentes sociais. Atravessam instituições, políticas públicas, relações profissionais e a vida da população atendida.

Por isso, defender direitos tem consequências no exercício profissional. Elas se colocam quando uma política pública é desmontada ou tem seu financiamento reduzido; quando pessoas são discriminadas por raça, gênero, orientação sexual ou identidade de gênero; quando a pobreza é tratada como responsabilidade individual; quando direitos sociais são apresentados como privilégios; e quando práticas autoritárias ganham espaço nas instituições.

É diante dessas situações concretas que os princípios do Código de Ética ganham materialidade e orientam escolhas e posicionamentos no exercício profissional.

Democracia para além das instituições formais
A democracia que defendemos se expressa na participação popular, na organização coletiva, no controle social, na liberdade de manifestação, no acesso às políticas públicas e na possibilidade de a classe trabalhadora participar das decisões que afetam suas condições de vida.

O momento atual coloca em debate diferentes projetos de sociedade, e assistentes sociais participam dessa realidade como classe trabalhadora assalariada. Vivemos suas contradições e atuamos cotidianamente diante das expressões da questão social, em um país marcado por profundas desigualdades.

A própria direção construída pelo Serviço Social brasileiro situa a profissão nesse terreno de disputas. O Projeto Ético-Político não se limita a um conjunto de princípios abstratos, mas expressa compromissos que se relacionam com a defesa dos direitos, da liberdade, da democracia e dos interesses da classe trabalhadora. A Política Nacional de Comunicação do Conjunto, por exemplo, afirma o compromisso do projeto profissional com a classe trabalhadora e compreende a comunicação como estratégia para a construção de um projeto societário fundamentado na emancipação humana.

Um convite à reflexão
Que não restem dúvidas: reconhecer que o Serviço Social possui uma direção ético-política significa reconhecer a profissão na história, os princípios e valores construídos coletivamente e o projeto profissional que orienta o exercício do Serviço Social brasileiro.

O CRESS-MG convida assistentes sociais a voltar ao Código de Ética, aos momentos históricos da profissão e refletir criticamente sobre os projetos de sociedade em disputa no país. Democracia, liberdade e direitos são compromissos que atravessam a profissão e ganham materialidade no cotidiano de trabalho.

O Serviço Social tem lado. É o lado dos direitos humanos, da liberdade, da democracia, da justiça social e das lutas da classe trabalhadora.

Gestão “Se muito vale o já feito, mais vale o que será: unidade e compromisso na defesa do Projeto Ético-Político” (2026-2029)

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