4º Simpósio Mineiro de Assistentes Sociais:  tendências e desafios

Um encontro que reuniu assistentes sociais para celebrar os 80 anos do Serviço Social no país e discutir o cenário político e social em um momento em que um golpe parlamentar está instaurado e ameaça conquistas institucionais e de direitos para trabalhadores e sociedade em geral. O 4º Simpósio Mineiro de Assistentes Sociais, organizado pelo CRESS-MG, Abepss e Enesso, em Belo Horizonte, entre os dias 19 e 21 de maio, foi marcado por debates importantes para a categoria, com a participação intensa de mais de 1.000 pessoas entre profissionais e estudantes de Serviço Social. O evento teve na programação duas conferências, três grandes painéis, 13 plenárias simultâneas, espaços para exposição de pôsteres e para apresentação de trabalho para a comunicação oral, além das rodas de conversas com os profissionais, divididas por espaço sócio-ocupacional.
 
A programação teve início no dia 19 de maio, com a reunião de representantes dos NAS de Minas Gerais e conselheiros do Conselho, que falaram sobre pautas importantes para o fortalecimento dos núcleos, ressaltando a importância dessa articulação dos profissionais.
 
A abertura oficial aconteceu no início da noite, com apresentações culturais do grupo musical Baque de Mina e de adolescentes do ProJovem. A mesa de abertura foi composta por Maria Helena Elpidio (Abepss), Lidiane Oliveira (Enesso), Alessandra Souza (CFESS) e Leonardo David Rosa (CRESS-MG), que destacaram a importância do Serviço Social no Brasil.


Auditório do Minascentro durante a mesa de abertura do evento

 
Na sequência, os participantes assistiram à "Conferência Magna: 80 anos de Serviço Social - debates e tendências na cena contemporânea", com a presença dos assistentes sociais Marcelo Braz, Maurílio Castro Matos e Raquel Raichelis.
 
A noite foi finalizada com outras apresentações culturais e o resultado do Concurso de Poesia.
 
No dia seguinte, 20, as atividades começaram com o painel "Crise capitalista e a reprodução do trabalho na atualidade", com Elaine Behring e Ricardo Antunes. “É preciso resistir contra a barbárie que estamos vivendo hoje no Brasil. E essa resistência deverá ser feita em cada local de trabalho. Estamos aqui pela humanidade!", afirmou Elaine Behring durante sua apresentação. O professor Ricardo Antunes trouxe reflexões sobre o trabalho e o capitalismo, destacando a questão da industrialização dos serviços, e de terceirização, informalidade e precarização do trabalho. "Do século XX para XXI vimos nascer o 'proletariado não-industrial de serviços'", analisou.
 
Na parte da tarde, os/as assistentes sociais participaram de plenárias, que ocorreram simultaneamente. Ao todo, seis temas foram contemplados e os participantes se dividiram de acordo com os assuntos de interesse: questão racial, questão agrária, população LGBT, envelhecimento, juventude e direito à cidade.
 
A programação do dia seguiu com as falas de Yolanda Guerra e Maurílio Castro de Matos no painel "Ética e sigilo no cotidiano profissional". O tema foi abordado por Yolanda Guerra sob o contexto do acirramento da luta de classes, uma vez que a crise vivida hoje no Brasil deve ser pensada de forma econômico-financeira, mas também sob o ponto de vista dos valores.
 
“O sigilo tem que ser tratado a partir de seus fundamentos e não como algo operacional”, destacou. Neste mesmo sentido, Maurílio Castro de Matos também falou sobre a importância de se entender o momento atual para entender melhor o tema e afirmou: “O conservadorismo se retroalimenta do neoliberalismo”.
 
No fim do dia, os participantes integraram rodas de conversas com em grupos divididos de acordo com a área de atuação que os profissionais ocupam nos diferentes espaços sócio-ocupacionais. Houve também a realização de uma reunião com representantes da Abepss.
A manhã do dia 21 foi dedicada às apresentações de trabalhos acadêmicos. Os autores dos 140 artigos selecionados fizeram a apresentação oral de suas pesquisas, que envolveram diversas áreas do Serviço Social e 23 pôsteres.
 
Na parte da tarde, a primeira atividade foi o painel "Formação Profissional: desafios e exigências", com Marina Maciel e Raquel Sant'Anna. O debate trouxe importantes reflexões sobre a interlocução entre a formação e a prática profissional, destacando o predomínio da formação instrumental voltada para satisfazer interesses imediatos em detrimento da formação crítica. O crescimento do número de cursos à distância, EAD, e sua repercussão na qualidade da formação também foi um dos destaques deste painel.
 
Na sequência, foram realizadas sessões temáticas, com debates ricos e fundamentais para a atualização da formação profissional das/dos assistentes sociais. Os participantes assistiram às apresentações de acordo com seu interesse pelos seguintes temas: drogas; depoimento sem dano; políticas sociais de atendimento ao migrante e à população de rua; infância e adolescência; processos de mobilização e organização popular; família; e gênero e divisão sexual do trabalho. 
 
Caminhando para o fim do Simpósio, o auditório principal foi palco para uma homenagem aos 80 anos do Serviço Social no Brasil. As assistentes sociais Ana Quiroga, Leila Lima e Rosângela Batistoni, importantes representantes do Método BH, foram homenageadas e compartilharam suas histórias relacionadas ao importante projeto profissional surgido em Minas Gerais durante o período da ditadura e fizeram reflexões sobre o atual contexto político do país. A assistente social Ana Mourão, conselheira e membro da gestão “Seguindo na Luta” também recebeu homenagem, e foi convidada para homenagear as colegas e compor a mesa.
 
A conferência de encerramento do 4° Simpósio Mineiro de Assistentes Sociais abordou o tema "O cotidiano de trabalho da/o assistente social: questões e dilemas para o exercício profissional", com a presença de Ana Elizabete Mota, Ivanete Salete Boschetti e Maria Lúcia Martinelli.
 
Audiência Pública
 
Na manhã do dia 19 de maio, cerca de 400 pessoas compareceram à Audiência Pública sobre a jornada de 30 horas para assistentes sociais, realizada no Minascentro, em Belo Horizonte. A iniciativa integrou os trabalhos da Comissão de Trabalho, da Previdência e da Assistência Social da Assembleia Legislativa de Minas Gerais e precedeu a abertura do 4º Simpósio Mineiro de Assistentes Sociais.
 
Audiência Pública sobre as 30 horas foi realizada no dia 19 de maio, antes do início do Simpósio
 
 
A mesa foi presidida pelo deputado Celinho do Sinttrocel e contou com a presença de Simone Aparecida Albuquerque, subsecretária Estadual de Assistência Social da Secretaria de Estado de Trabalho e Desenvolvimento Social de Minas Gerais; Walleska Moreira Santos, superintendente Central de Política de Recursos Humanos da Secretaria de Planejamento e Gestão; Alessandra Ribeiro de Souza, conselheira do Conselho Federal de Serviço Social, Leonardo David Rosa Reis, presidente do CRESS-MG; Analice Ribeiro Pazzini Lobo, analista de Políticas Públicas da Associação Mineira de Municípios; Pedro Patrus, vereador da Câmara Municipal de Belo Horizonte; Fábio Maia, diretor de Administração Geral, e Ederson Alves da Silva, vice-presidente do Conselho Estadual de Saúde.
 
Os integrantes destacaram a trajetória da luta pela implementação da Lei Federal nº 12.317, sancionada em 2010, que assegura a jornada de 30 horas sem redução de salário para assistentes sociais de todo o Brasil e a importância do diálogo sobre o tema. 
 
No encerramento, o deputado Celinho do Sinttrocel anunciou os seguintes encaminhamentos, que serão lidos e aprovados na próxima reunião da Comissão de Trabalho, da Previdência e da Assistência Social na ALMG:
 
- envio de solicitação de aplicação imediata da Lei 12.317 sem redução de salário a todos os prefeitos e presidentes das câmaras de vereadores de municípios em que a norma não vem sendo cumprida;
 
- encaminhar à Secretaria de Estado da Casa Civil e Relações Institucionais o pedido de providências com vistas ao cumprimento imediato da Lei 12.317 em todas as instituições públicas do estado de Minas Gerais;
 
- enviar solicitação à Associação Mineira dos Municípios para que inclua em sua agenda discussão acerca da exigência do cumprimento da Lei 12.317;
 
- encaminhar à Seplag um pedido de providência com vista à instituição de um grupo de trabalho com representação dos assistentes sociais para assegurar a implantação da jornada semanal de trabalho de 30 horas e do piso salarial dos assistentes sociais no estado de Minas Gerais.
 
- é possível acompanhar a tramitação destes requerimentos Clicando neste link: http://migre.me/uZqJ